(D)Evolução

Nossa coluna que era reta
Entortou-se.
Agora as patas vão ao chão,
Bem devagar.
Uma mão vai na cabeça.
Uma coçadinha.
Banana pra todo mundo.
Já passou o tetê-à-tête.
Machado contra machado.
Não tinha covardia,
Pouca tecnologia.
Pouca gente recuando,
Vários outros adiante,
Sem dó, pela sobrevivência.
Hoje poucos se entregam,
Ou lutam pelas causas.
Também estão todas perdidas.
A minoria vai vivendo,
O restante sobrevive.
Muita tecnologia e pandemia,
Miopia, arritmia.
Pouca a nossa inteligência.
Cadê aquela melodia? E a gritaria?
Quem é o dono dessa festa avessa?
Cresça, meu povo. Cresça.
Eu quero me devolver.

Quando Tom Bou

Aos poucos Tom foi acordando. Ainda meio zonzo, notou que estava sentado em uma cadeira, no meio de uma sala escura e fria. De repente Tom sentiu uma pancada forte no rosto que lhe cortou a sobrancelha e fez jorrar sangue por todo seu corpo. Gritou de dor.

Em meio ao liquido vermelho que escorria sobre o seu rosto, Tom gemia e tentava abrir os olhos para enxergar o que estava acontecendo. Desesperado, tentou se levantar quando levou o segundo soco, atingindo em cheio o seu queixo. Desabou. Ele não via ninguém em meio à escuridão, só sentiu o contato daquela mão dura contra o seu rosto amedrontado. Aos poucos foi se lembrando dos últimos momentos antes de acordar ali. Era sua festa de formatura. Tom era mais um em meio a milhares que deixavam a vida acadêmica para se entregar ao trabalho.

Ainda deitado, Tom não conseguia sentir a sua mão esquerda. A mão direita, apesar de livre, não conseguia defende-lo dos socos que vinham de direções desconhecidas. Continuou a apanhar. Os socos agora lhe acertavam o rosto, o estomago, o pescoço. Tudo lhe doía, e quanto mais apanhava, menos conseguia se mexer.

O que ele não sabia é que quem te batia era a sua própria mão. A mão esquerda. Tom era destro, e sua mão direita nunca fez mais do que a obrigação. Nunca fez mais do que o mínimo necessário para viver. Já a esquerda foi mais ousada. Dificultou sempre que podia os caminhos de Tom.

Naquele dia Tom perdeu para si mesmo. Ficou ali, entregue à sua mão esquerda. Sua vida em diante seria marcada por momentos como aquele, em que perderia sempre, sem nem sequer pensar em vencer.

A mão esquerda colocou Tom na lista dos que não encaram a vida como um desafio à vitória, mas sim com medo da derrota.

Formado, Tom agora era mais um… a menos.