Narrador Ativo

A história que conto agora é breve.
É sobre o amor de um jovem garoto
E também de uma linda menina.

Vocês sabem bem para que o amor serve.
Pra endireitar e não para deixar torto.
Essa é a sua sina.

Pois bem,
Para o jovem rapaz,
O amor não o deixava em paz.

Para a linda donzela, tampouco.
O amor lhe sugava do pescoço à canela.
E o respeito padecia aos poucos.

Algo bem errado acontecia.
Os dois se amavam e não se entendiam.
Nem o que fazer, os dois não sabiam.

Então, de narrador passivo,
Passei à ativa.
“Essa história vai continuar viva.”

“Primeiro é preciso que vocês dois entendam”
“Que, para amar, é dever enxergar os dois lados”
“É preciso, também, ser mais que um amado”
“É preciso ter os dois ouvidos aguçados”

“Também é preciso entender que, talvez”
“O problema não seja brigar todo dia”
“Seja só o de não tentar”
“Ganhar um dia por vez”

Macho Que é Macho

Uma palavra define o que é ser macho: objetividade. Macho que é macho é objetivo. Não existe meio dito nem meio entendido com macho. Ou é ou não é. Quer ou não quer. Vai ou não vai.
Homem pede com educação:
– Me passa a manteiga, por favor.
Já o macho (não que seja um mal-educado) não tem educação:
– Me dá!

Macho não alisa. Paquera pra ele não existe. Homem gosta de conversar. Macho é curto e grosso.
Homem:
– Gosta de cinema?
Macho:
– Gostosa!

As conversas do macho são claras. Nada fica desentendido. Enquanto o homem mede cada palavra, macho vai direto ao ponto.
Macho:
– Quero transar com você.
Homem:
– Gosta de cinema?

Então, pra que fique claro, ser macho é ser objetivo, é ir direto ao ponto, sempre. O que não significa que macho é mais homem que o próprio homem. O homem sabe o que quer, mas não sabe dizer. Macho sabe dizer, mas nem sempre sabe o que quer.
Homem:
– Gosta de cinema, Yasmin?
Macho:
– Quero transar com você, Gilmar.