Severino e a Torneira Solta














Existe uma história
Que corre o sertão
De um bravo menino.
Nome: Severino.
Quando nasceu,
Ninguém percebeu
O que tinha, o garoto,
De tão diferente.
Era, Severino,
um menino doente.
Dizem uns outros,
Que é na moléstia
E também da modéstia,
Que brota a coisa mais honesta
No pobre sertão:
Severino encontrou compaixão.
Tanto sofrimento
Envolvido na terra
Tanta gente que chora
E que berra de fome e de sede.
Resolveu, Severino,
Começar, de repente,
Uma revolução.
Sua perturbação
Era a sua aliada.
Pra começar
A dar como encerrada
Essa história
De que no Sertão
Falta água encanada,
O guri começou
A tal reviravolta
Se apegando na crença,
E também abusando da própria doença.
Sua torneira solta,
É o que o povo conta,
Não foi o que fez
O sertão virar mar,
Mas fez muita gente
Chorar de emoção.
E com a água salgada
Do choro do povo
Logo o sertão virou mar,
De novo.

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