Josinete

Josineti era bem diferente.
Cresceu viciada em internet.
Ao vivo, conheceu pouca gente.
Na rede, era a mais populete.
Só saía do quarto doente,
Ou então pra comer um croquete.


Depois de ouvir o fuxico
Que essa internet era um tédio,
Seus pais decidiram acabar com o futrico.
Precisavam encontrar um remédio.
Josinete ainda usava pinico,
Não podia sofrer tanto assédio.


Foram ao médico com Josinete.
A primeira ordem, cortar a internet:
“Criança pequena precisa brincar.
Esse negócio de orcuti e tuíti,
Fez meu casamento acabar em desquite.
Imagina se essa criança aprender a usar.”


Retornaram pra casa com uma medida.
Cancelaram a internet tentando abrir a janela da vida.
Só não perceberam que essa saída
Só funcionaria no tempo do videocassete.
Nesse dia, a menina entrou para o quarto 
E dormiu, sem enquete.


Na outra manhã, 
Junto com a net,
A guria sumiu. 
E mesmo sendo procurada, 
A menina não foi encontrada.
Ninguém mais a viu.

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