Segredo



Lá em cima
Do Morro Perdido,
Escondido entre as nuvens,
Existe um portal
Vigiado por um guardião.
Depois da entrada
Encontra-se um rio
Onde dividem
O mesmo habitat,
Três montes de piranhas,
Um lindo Jacaré
E uma dúzia de tubarão.
Para atravessar o riacho,
Além de nadar,
Precisa ser cabra macho,
Bem forte do braço
E ligeiro do pé.
Passado o aguaceiro
A trilha do morro adentro
Leva a uma outra emboscada:
Um ninho de cobra
Criada com sogra e fermento.
Logo adiante do ninho,
Por sobre um baú
Muito bem trancado
Estão sete chaves,
Todas enroscadas
No pé de uma ave gigante.
Para arrancá-las do pé,
Dentro do rio passado,
No rabo do jacaré,
Está amarrado um estojo
Com flauta e tranquilizantes.
Depois da sexta noite
De música sacra incessante,
Dois comprimidos
Farão com que a ave
Durma n’um instante.
Dentro da caixa
Existe um envelope fechado
E lacrado com cera bem quente.
Dentro, bem guardado,
Vive um segredo,
Que, se for revelado,
Com toda a certeza,
Nunca valerá
Nem um terço da glória
De quem um dia
Sobreviver a essa história.