Depois do amor (2)


O que será que vem depois do amor? Foi o que se perguntou depois do último amor que teve. Aliás, teve vários amores na vida, mas nenhum pra chamar de “o grande amor”. No entanto, depois desse, começou a se perguntar: o que será que vem depois do amor? Depois de amar bastante, até não mais caber, até passar do limite, o que será que vem? Será que existe vida além do amor? Se existe, que vida é essa? Se não, como se chamaria esse sentimento? Seria um sentimento? Ou um lugar? Seria nada? As dúvidas começaram a ocupar seu pensamento e enchê-la de incertezas, ao mesmo tempo em que se enchia de vontades. E quis amar até não mais amar (ou amar além). E amou.
Começou como sempre fazia, gostando, mas logo amou em demasia. E o amor, que no começo era uma coisa meio desajeitada, meio sem motivos, passou a ser natural. E, naturalmente, foi amando sempre mais. Amou bastante. Amou como nunca havia imaginado poder amar. Amou e também foi amada. Foi amada por uma pessoa que jamais pensou poder amá-la: si própria. E descobriu que não conseguiria mais viver sem esse amor. Ela era o grande amor de sua própria vida. Sentiu-se amada como nunca. Foi tanto amor e reciprocidade que um dia ultrapassou o limite, sem perceber, sem se lembrar de querer. E esse dia, o último do amor, foi o primeiro de um anjo.

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7 thoughts on “Depois do amor (2)

  1. De imediato me veio em mente a cena final daquele filme “Apenas o fim” – que eu SUPER amo, super assisti mil vezes e SUPER indico – quando a Adriana diz para o Antônio: Você não precisa ficar assim. Isso é só o fim. O que realmente importa já foi feito, a gente já teve nossos momentos especiais. E é isso que importa no fim: ter alguma coisa pra lembrar, alguma coisa pra nunca esquecer, alguma coisa que não tem fim.

    Muito lindo teu blog!

    Beijo!

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  2. Lucas, parabéns pelo texto! Mais do que palavras lindas, elas são inquietantes…
    Mas estou ainda mais confusa sobre esta história de amor próprio… porque o que a gente faz com o vazio deixado por um amor que se foi? Preenche com o amor próprio? Como, se de um lado da cama falta um, se os pratos são sempre para dois nos restaurantes, se quando vc ganha um ingresso qualquer é p vc e p o acompanhante… essas e outras que é mais fácil fazer em “combo”…
    Pode ser que “amor próprio” seja uma boa desculpa para pensarmos que não estamos sozinhos…
    Talvez, não estejamos mesmo… talvez, talvez…
    De qualquer forma, linda a publicação! Parabéns!

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