Sully, o Hudson e o dia que eu fui demitido

​Hoje é mais um dia comum de trabalho. Você acorda cedo, toma um banho, depois um café, arruma sua mala, veste seu uniforme, desce pro hall do hotel e faz seu checkout. Depois pega um taxi na porta e segue para o aeroporto.

 
Na chegada, para numa lojinha para comprar seu lanche, escolhe o sanduíche d atum e continua rumo à aeronave. Lá, você é recebido pela tripulação com um “bom dia, comandante”, retribuído com o mesmo respeito. Daí você entra na cabine de comando e cumprimenta o copiloto, que o aguarda para seguir viagem. O embarque já foi encerrado e sua equipe confirma que cento e cinquenta e cinco pessoas, contando com você e a equipe de bordo, viajam nesse voo.
 
Você e o copiloto conversam sobre o clima frio em Nova Iorque… é inverno e isso pode atrasar um pouco a partida. Checa todos os itens, como sempre fez nesses quase quarenta anos de profissão, e não deixa que nada passe sem ser checado e confirmado por você e o copiloto.
 
A aeronave já está na cabeceira da pista, esperando a autorização para decolar. Mais uma vez, checa os botões, motores, alavancas… tudo pronto quando a torre autoriza a partida. Seu copiloto aciona os motores e a aeronave acelera com potência para ganhar altitude. Saída perfeita. Quando a aeronave garante estabilidade no ar, você desafivela seu cinto e respira tranquilo.
 
O avião ainda está inclinado, ganhando altitude, quando percebe uma revoada de pássaros cruzando a aeronave… tomado por susto, sem tempo de reagir, sente o baque dos pássaros se chocando na lataria do avião. Dois barulhos maiores são ouvidos e, assim que a turbulência passa, percebe que perdeu os dois motores do Airbus.
 
Você imediatamente começa a checar o funcionamento dos equipamentos. Seu copiloto acompanha a checagem, enquanto tenta religar os motores. Não adianta. Então você decide assumir o avião, que estava em piloto automático, e comunica a emergência à torre, que já solicita aos aeroportos mais próximos pista livre para pouso. Você avalia a potência do avião, verifica a altitude da aeronave e percebe que não tem força suficiente para chegar ao aeroporto. Vocês vão cair no meio de Nova Iorque.
 
Numa mistura de frieza e responsabilidade, cruzando prédios e arranha-céus, você decide tentar um pouso na sua única “pista” disponível, o rio Hudson. Seu copiloto confia e te ajuda até o último segundo da decida. Vocês comunicam a tripulação e preparam todos para o impacto… mas fazem a aterrissagem perfeita. Todos vivos. Logo as equipes de socorro chegam para o resgate, pessoas estão sobre as asas do avião e em boias infláveis, em um rio congelante, mas todos sobrevivem.
 
Essa é uma história real, contada no filme Sully, em cartaz nos cinemas. Uma metáfora sobre como nós, seres humanos, somos fundamentais entre as máquinas, exatamente por sermos humanos. É também uma metáfora sobre crises econômicas e demissões, afinal, quando você é demitido, você pode deixar sua aeronave se espatifar em Nova Iorque ou tentar pousá-la no rio Hudson. 

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