Família não tradicional brasileira

Era uma vez um rapaz e uma garota que se conheceram, namoraram e se casaram, como toda família tradicional brasileira.

Desse casamento nasceu Rodrigo, o primogênito, que proporcionou ao casal o status de família. Um ano depois, cansados de amar só um filho, tiveram gêmeos, aos quais deram os nomes de Lucas e Henrique. Os dois nunca tiveram nomes fixos. E a família, agora maior, já podia ser chamada de família tradicional brasileira. Até que…

Quando o primeiro filho tinha cinco anos, o casal deu uma grande prova de amor à família. Separaram-se. Porque se amavam. Foi o fim para todos. Menos para a família, agora já não tão tradicional.

Com a separação, expandiram os negócios do amor. Cada um foi morar no seu canto. E os filhos, que já tinham aprendido o que era amar para dentro de casa, começaram a amar para fora. Ora na casa do pai, ora na casa da mãe.

Quase ninguém entendia a separação, só aquela família pouco tradicional e algumas outras que não seguiam a tradição. Para muitos, família feliz era família que vivia infeliz para sempre. A nossa… ou melhor, a família não tradicional brasileira dessa história, aprendeu que amar não é estar sempre junto, até que a morte os separe. É estar sempre feliz, mesmo que a vida ou outras circunstâncias os distanciem.

A família não tradicional cresceu de novo. A mãe, divorciada, bonita e feliz, ficou grávida de um namorado (coisa normal em famílias não tradicionais). Mas antes de dar à luz, o namorado foi sequestrado pelo seu próprio medo e sumiu (uma prova de amor ao contrário). A família ficou pouco tempo preocupada. Logo o pai, divorciado da mãe, apareceu pra dizer que, de longe, ele seria o melhor pai para a menina. E Foi. Nasceu a Gabi, bonita, com pai, mãe e irmãos, todos bem pertos.

O filho mais velho, Rodrigo, repetiu de forma melhorada essa história. Nem namorou e já engravidou uma garota muito bonita. Eles foram felizes para sempre enquanto puderam. Pouco antes da filha nascer, se separaram. E aí, sim, foram felizes para sempre, porque tinham uma filha linda, que amava a lua. Todos nessa família não tradicional amavam demais a nova integrante.

O filho do meio, Henrique, se casou e se separou com a mesma velocidade que escrevo esse parágrafo. Um amor difícil de ser contido dentro de um casamento. Uma prova enorme que a família não tradicional brasileira se mantinha firme na tradição de amar acima de tudo: da igreja, do cartório e da burocracia do divórcio.

O pai se casou outra vez, agora com a Aline. E logo encomendaram Isabela, a quinta herdeira da família não tradicional. Mais ruptura com a tradição, mais amor.

E eu… ou melhor, e Lucas, que também se casou por amor, com o amor em pessoa, seguiu a tradição da família não tradicional brasileira e se separou pelo mesmo motivo, o amor.

E todos foram felizes para sempre, menos a família tradicional brasileira, que segue a tradição de ser feliz, até que a morte os separe.

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