Prainha

O lugar onde aprendi a pescar
não tinha rio, nem mar.
Varas e iscas, fazíamos
com as mãos na cabeça
e os olhos marejados.
No lugar que aprendi a pescar,
os peixes que a gente pegava
não davam pra gente comer,
mas matavam um pouco da fome
e da sede.
Era coisa da nossa cabeça
pescar o peixe
só pra depois soltar o peixe,
deixar o bicho sumir
nas águas escuras do rio,
do mar ou desse lugar
que aprendi a pescar.
O lugar não era uma praia
igual essas praias de pescadores.
Era uma praia de pescar outras coisas.
De pescar dias… de pescar dores.
E não tinha nem nome
o lugar que aprendi a pescar.
Até que o povo
que visitava a prainha há anos,
a mesma prainha que eu aprendi a pescar,
começou a chamar o lugar
de saudade.

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