Garoa

É muito fácil falar do amor
que a gente não ama,
que a gente não tem.
De um amor distante,
como as nuvens,
como se a gente não soubesse
que dentro das nuvens
estão as chuvas que refrescam
e as tempestades que devastam.
É muito fácil falar do amor
que a gente não ama,
que a gente não tem.
Que a gente só quer chamar de amor,
mas pra chamar de dor
eu chamo quem?
Eu quero um amor
para, quando chover, me deitar na rua,
ser levado pela enxurrada,
escorrer por outras ruas,
provocar acidentes,
ser tragado pelo esgoto.
Eu também quero um amor
para, quando chover, eu cair tempestade
num campo sem flor
e ver florescer o amor em tudo.
É muito fácil falar do amor
que a gente não ama,
que a gente não tem.
Eu quero o amor
que chove num dia
e evapora no outro.
Eu quero viver mil amores
para, um dia, depois de quase morrer
nas tempestades
eu possa viver
de um amor chuvinha.

 

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