Fruta amarga

Fruta amarga

Que as pessoas me amem
tanto quanto me odeiem.
Quero o carinho e o tapa.
O riso e o choro.
O amigo vital e o inimigo mortal.
Não estou vivo para meia vida.
Eu não sou mais um,
eu não sou fruto do meio.
Sou a fruta doce que amarga no fim.
Eu não nasci para agradar paladares.
Sou o pomo que ninguém prova,
que ninguém sabe o gosto que tem.
Eu broto em solos áridos,
cresço nos pântanos
e apodreço nos jardins.
Não sou fruto dos meios,
eu sou dos começos, dos meios, dos fins.
Sou fruta rara, que não dá no pé.
E se eu quiser dar no pé, eu corro.
E eu também dou onde eu quiser.
E se eu quiser ficar eu também fico.
E não me dou para ninguém.

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