Agora é outono

Agora é outono

ouvíamos menos
quando fazia mais barulho.
ouvíamos nada
quando só tínhamos olhos
pro absurdo.
agora é outono.
e eu sei que é outono
pelo barulho que as palavras fazem
ao tocar você.
também não sabia o barulho
que fazia um peito com saudade.
contei doze batimentos por segundo
na última lembrança.
agora, treze, catorze, quinze…
ouvi a caneta rodopiar pela mesa
me chamando para dançar um poema.
um poema para ouvir você.
ouvir o que você está fazendo agora, sem mim.
e descobri que a saudade
tem o som da sua voz me chamando.
e que esse poema
tem a minha voz dizendo
“me espera”.
também descobri que esse poema
é a falta que você faz
em mim.