Banais

Banais

Banalizamos os gestos de amor. E agora o amor não cabe.

As reuniões exageradas, que definem os rumos das empresas, mas não definem o nosso rumo, consomem nosso tempo de amar.

Nosso olhar para a vida está seco. Nos debulhamos por causa de um chefe estressado, que consome nossas águas, mas não choramos as belezas ao redor. Choramos de dor. Choramos de raiva. Choramos de desespero. Mas não choramos de tanto amar.

São tempos de tempos bem curtos. De horas escassas. Instantes bem rápidos, que mal cabem o ar, quiçá o amor.

Ainda não compreendemos que no tempo do amor cabe tanto. Não há um instante que seja tão curto quando o instante é de amor. O amor cabe nas brechas, nas frestas, passa por debaixo da porta. O amor se infiltra quando a gente resolve que é hora de amar. O amor sempre cabe.

Amar não dá trabalho. O que ele nos dá é outro tempo pra gente fazer o que precisa, mas de um jeito diferente, com amor.

Amar não dá trabalho. Mas dá um trabalho danado viver sem amor. Já vi gente que quase morreu de tanto não amar.