Diário sexual de um poeta

Diário sexual de um poeta

quando escrevo poesia,
perguntam-me sobre o meu gênero
e eu digo que é poesia.
querem saber
se eu sou homem ou mulher
e eu digo que sim.
“Que sim o quê?”, eles insistem
e eu digo que sou poeta
do gênero poesia,
que põe dúvidas no pensamento,
que acerta quando erra,
que alitera e contradiz.
sou agora poeta
e no instante seguinte
estou por um triz.
falo das plantas,
de suas raízes profundas
e dos beija-flores no jardim,
mas, no fim, só querem saber
quem eu estou beijando.
pois bem, aqui vai meu diário sexual:
o meu gênero é poesia,
transo o dia inteiro com a palavra,
nunca repeti posição,
acredito na superstição
que é de cabeça pra baixo
que a palavra engravida.
meu gênero é livre, livros,
rima, não rima, chora, sorri e grita,
e se falo de amor no poema
todo mundo acredita.
não me levem tanto à sério,
meu gênero é poesia, transita
entre um ser que é poeta
e uma calopsita.