Receituário geral

Receituário geral

As recomendações básicas para uma vida saudável são simples. E eu quero compartilhar com vocês um pouco do que sei. 

É recomendável, em períodos como o de agora, de Coronavírus, não viajar. Evite aglomerações de pessoas, também de palavras e de problemas. Se puder trabalhar de casa, melhor. Evite contato com pessoas que estiverem com sintomas de gripe. Se você estiver com os sintomas, evite as pessoas. Se ninguém estiver com os sintomas, se juntem e leiam bastante poesia. 

Evitem gorduras: em comidas, palavras e sentimentos. É preciso evitar os excessos. Fale menos, escute mais. Escolha um só problema por vez para resolver, pense melhor nas pessoas que quer ter por perto e cuide bem das suas palavras preferidas. Fique junto de pessoas respeitosas. Qualquer sinal de rispidez, violência ou desrespeito, se afaste. Leia bastante poesia. 

Evite pessoas que falam demais sobre si. Ignore pessoas que não têm defeitos. Elas não existem. Quando ouvir uma piada machista, diga que não entendeu. Se a pessoa não se tocar, se afaste. Delete das suas redes sociais o homem que parabeniza o seu próprio lado feminino no Dia da Mulher. Ele ainda não entendeu nada sobre esse dia e é, infelizmente, machista. Leia bastante poesia. 

Faça exercícios físicos regularmente. Isso vai ajudar a manter seu corpo mais forte, sua imunidade mais alta e aumentar sua capacidade de superar uma infecção, como a do Coronavírus. Faça exercícios mentais regularmente. Leia livros, diversifique a leitura, busque assuntos que normalmente você não lê, leia gêneros que você não tem o costume, leia ficção e também livros didáticos para aprender algo novo. Leia bastante poesia. 

Lembre-se: é impossível agradar todo mundo. Mas isso também não permite que você falte o respeito com alguém. Acalme-se. Respire fundo dez vezes antes de dar uma resposta aguda a alguém. Lembre-se: é impossível agradar todo mundo quando você escrever um poema. E isso lhe permite brincar mais com as palavras. Não agradar também é uma reação valiosa quando se faz poesia. Suspeite da unanimidade, tanto das pessoas com você, quanto das pessoas com o seu poema. Leia bastante poesia. 

Uma poesia:

“Quando escrevo poesia, perguntam-me sobre o meu gênero e eu digo que é poesia. Querem saber se eu sou homem ou mulher e eu digo que sim. “Que sim o quê?”, eles insistem e eu digo que sou poeta do gênero poesia, que põe dúvidas no pensamento, que acerta quando erra, que alitera e contradiz. Sou poeta agora e no instante seguinte estou por um triz. Falo das plantas, de suas raízes profundas e dos beija-flores no jardim, mas no fim só querem saber quem eu estou beijando. Pois bem, aqui vai meu diário sexual: o meu gênero é poesia, transo o dia inteiro com a palavra, nunca repeti posição, acredito na superstição  que é de cabeça pra baixo que a palavra engravida. Meu gênero é livre, livros,  rima, não rima, chora, sorri e grita, e se falo de amor no poema todo mundo acredita. Não me levem tanto à sério, meu gênero é poesia, transita entre um ser que é poeta e uma calopsita.”