Técnica de embelezamento natural

Técnica de embelezamento natural

Uma coisa que a leitura faz bem é deixar as pessoas mais interessantes. Sim, ao ler, sabemos mais, conversamos melhor, contamos boas histórias, somos mais divertidos, agradáveis. Por isso, ficamos até mais bonitos, atraentes. Sim, a leitura é uma ótima técnica de embelezamento natural, melhor do que a plástica e cosméticos. Repare.

Outra coisa que a leitura faz é deixar os lugares também mais interessantes. Um exemplo: quando li o livro “Paris é uma festa”, de Ernest Hemingway, fiquei encantado com a Paris que o autor descreveu. As cafeterias, as esquinas, as floriculturas, os parques… imaginei tudo enquanto lia. Depois, quando pude ir a Paris conhecê-la, a surpresa não foi só com a cidade, mas também com tudo que eu já havia imaginado lendo o livro. É divertida essa descoberta, tanto de como são iguais algumas cenas que imaginamos enquanto lemos, quanto o contrário, de como nossa imaginação viaja e cria nossas próprias cidades a partir das descrições do autor. 

Não é a primeira vez que falo de Elena Ferrante. É porque estou realmente encantado com essa escritora italiana, que insiste em esconder sua verdadeira identidade. Elena é famosa por dois motivos. O maior deles, por descrever tão brilhantemente histórias que parecem ter acontecido de verdade. Ela narra detalhes que fazem nós, leitores, nos imaginarmos nas cenas, nas ruas, nas casas, nas famílias. 

Uma característica importante sobre Ferrante é a sua capacidade de revelar personagens tão ricos. É fácil notar em seus livros a distinção de cada um, as características que são peculiares e que os tornam tão fortes. Os temperamentos, as angústias, as dores, os tons de vozes… Sim, até as vozes dos personagens são fáceis de “ouvir” lendo Elena Ferrante. 

Outra característica dos livros da autora é que eles acontecem, quase sempre, no mesmo cenário, a antiga cidade de Nápoles, na Itália. Enquanto lemos seus livros, passeamos pelas ruas, ora pela costa, pelo porto, ora pelo centro ou subúrbio. O que nos leva a pensar, ao ler sua obra, que seus livros seriam grandes diários de sua vida. Será? Pelos detalhes dos fatos que ela narra, eu apostaria que sim. 

Acabo de chegar de uma viagem um pouco mais longa pela Itália. Foram mais de vinte dias entre cidades pequenas, como Calci, e grandes como Roma. Mas a cidade que mais me impressionou, sem dúvida, foi a cidade que eu conheci pelos livros de Elena: Nápoles. 

Todo canto que eu ia, todo ponto que meus olhos miravam me faziam lembrar das histórias dos livros. As pessoas, os bairros, as ruas sujas, tudo ali na minha frente, bem parecido com o que eu havia imaginado, e isso é mérito de uma autora que consegue descrever com riqueza as cenas da cidade. 

Foi como se eu tivesse chegado a um lugar conhecido, mas que eu não ia há anos. Matei uma saudade de uma cidade que só conhecia pelos livros. E achei tudo mais bonito de ver, de aproveitar, de saborear, depois de lido seus livros. 

Por isso eu digo: se querem ficar mais bonitos e atraentes, usem essa técnica milenar de embelezamento natural. Pinguem alguns livros nos olhos todos os dias e receba algumas cantadinhas a mais por aí.